Madrid e o Livro sobre a Vulva

Suspeito que o universo decidiu que tem de haver algum balanço cósmico e que, quando me safo a fazer alguma coisa bem e fico confiante e a pensar “sim senhora, Joana, assim é que é portares-te como uma adulta”, tem de haver alguma coisa que estraga isso tudo.
Neste caso, foi depois de uma semana a dar aulas de ilustração a uma turma de pós-graduação em Madrid, aulas essas em que FALEI EM ESPANHOL! (…eu sei, eu sei… não é assim tão difícil, português e espanhol são tão parecidos… mas para mim foi uma proeza!)

Costumo dar oficinas mais curtas, nunca tinha planeado aulas para tantos dias seguidos mas preparei-me, treinei o mio castellano, e correu tudo muito bem! Fiquei tão orgulhosa de mim própria que claro que alguma coisa tinha de correr mal logo a seguir. Resumidamente: perdi o bilhete de identidade, só me apercebi minutos antes de embarcar no avião, chorei em frente a toda a gente e depois tive de voltar de carro para o Porto (bendito Blablacar).

Se soubesse que ia acabar por vir de carro tinha trazido mais livros! No fundo isto é tudo um preâmbulo para vos mostrar um dos resultados da minha pesca literária por Madrid e novo livro preferido: El Fruto Prohibido de Liv Strömquist.

Tenho para mim que este livro devia existir em todas as línguas e ensinado na escola como parte do currículo. Esqueçam o Frei Luís de Sousa.

É uma bd que conta a história da vulva, e da forma como a sociedade e a ciência trataram a sexualidade feminina ao longo dos tempos. Não só é interessante de um ponto de vista histórico como não deixa de fazer paralelismos com a actualidade, e mostrar-nos como tantas atitudes e crenças antigas ainda estão enraizadas na forma como vemos e tratamos o corpo feminino hoje em dia.
Tudo escrito com um sentido de humor corrosivo que é perfeito para este tipo de conteúdo que não-sei-se-ria-ou-se-chore. É difícil lê-lo e não ficar muito muito zangada. Mas também com uma vontade enorme de dá-lo de prenda a todas as mulheres e homens na nossa vida.

Lê-se bem em espanhol, mas a Fantagraphics vai lançar uma versão em inglês. Com sorte pode ser que um dia o traduzam cá!

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