A semana em que fui todos os dias ao cinema

No início deste mês tive a sorte de poder fazer parte do júri da competição internacional do festival IndieJúnior Allianz, que aconteceu pela segunda vez aqui no Porto.

A minha parte preferida foi assistir às sessões escolares de curtas metragens! Eram 5, ao todo: pré-escolar, primária, 2º ciclo, 3º ciclo e secundária. Ou seja, ia dos meninos super pequeninos a serem conduzidos como rebanhos para a sala de cinema aos adolescentes com hormonas aos pulos que gritaram a plenos pulmões quando a sala ficou às escuras sabe-se lá bem porquê.

 

 

Eu que normalmente sou aquela pessoa chata que manda as outras calar no cinema, durante esta semana não me incomodei nada com o burburinho, os comentários e as gargalhadas dos meus companheiros de sala. Estava tão interessada em ver as reacções dos espectadores como os filmes. E foi tão giro! Os meninos da pré-escolar cantavam, os da primária riam muito alto e aplaudiam efusivamente (acho que às vezes não era tanto por gostarem do filme mas porque era a única altura em que se podia fazer barulho e há que aproveitar) e os secundários acendiam todos os telemóveis nos intervalos entre as curtas e parecia um concerto.

Bem, e isso foi o público. Mas os filmes também não lhes ficaram atrás! Vou deixar aqui os trailers dos que gostei mais. Não sei se vão estar noutros festivais mas fica a sugestão, se os virem em alguma programação por aí aproveitem!

 

Mistério da Colina Verde, de Cejen Cernic

A melhor descrição que consigo dar é: Stranger Things, mas numa longa metragem, e sem nada de ficção científica, e passa-se tudo na Croácia durante umas férias de verão. O trailer não lhe faz jus, mas é o que se arranja.

 

Hello/Sallam, de Kim Brand

Um documentário acerca de dois rapazes holandeses que vão com as mães visitar um campo de refugiados em Lesbos. Vemos a viagem na perspectiva deles, tantos os momentos mais sérios em que se debatem com a realidade e as condições de vida que aquelas famílias têm (ou melhor, não têm) como as partes divertidas, de fazer amigos e andar à luta com bolas de neve.

 

Mrs. McCutcheon, de John Sheedy 

Aborda a questão da identidade de género (e ser a pessoa estranha e nova numa escola) de uma forma mesmo adorável e divertida. A professora do filme lembrava-me imenso a Ms Frizzle da Carrinha Mágica e merecia ter a sua própria série de tv.

 

Negative Space, de Max Porter e Ru Kuwahata

Ganhou o prémio de melhor curta no festival! Li algures que os realizadores decidiram fazer este filme com base num poema que encontraram no facebook. Que isto sirva de motivação a poetas de telemóvel.

 

Mr Night Has The Day Off, de Ignas Meilunas

Ok, eu sei que esta curta é super simples mas, número 1, não é muito comum ver Vilnius num écran de cinema. Quando a torre de Gediminas apareceu eu dei um gritinho! E, número 2, os miúdos na sala reagiram mesmo muito ao filme, era quase como se estivessem a ver um truque de magia. Se eu desse aulas de animação a crianças provavelmente ia mostrar-lhes isto, como exemplo de dois tipos de animação combinados um com outro, e para os entusiasmar a fazerem stopmotions com aquilo que têm por casa!

Share your thoughts